Uma amiga minha, dessas que gente não lembra sempre, mas quando lembra dá um gosto danado de se lembrar e de se saber amigo (coisas de um Juba pós moderno) enviou-me um texto maravilhoso. Lindo, comovente e elegantíssimo como ela própria. Ela emprestou às palavras sua beleza e sofisticação. Tão, lindo, mas tão lindo é o texto que eu fiquei pensando em como eu era e como eu sou hoje. Deixei mesmo algumas coisas para trás, lá pras bandas do esquecimento e do “nossa, lembra disso?” tão proferidos nas raríssimas vezes que eu encontro com pessoas. Infelizmente não raríssimas vezes, meus amigos e eu, temos falado do passado. Evitamos o futuro e seguimos travestindo o presente com roupas de outras épocas. Lembrei-me das festas que eu fazia em casa. Do dinheiro que eu gastava enlouquecidamente com bebidas, cds, camisetas de bandas... dos meus rituais, dos amigos que hoje não são mais amigos, dos que estavam por perto, mas cujo tempo sempre faltava a ambos... dos meus exercícios físicos.
Subitamente, lembro-me que nessa noite eu estava com Carlinhos (um amigo que recentemente entrou na vida msn e que nem sempre eu desbloqueio para conversar (sim, eu confesso que faço isso...) e estávamos em um salão de cabeleireiro e eu vendo ele conversar com um cliente. Sei que o salão parecia ficar no centro de um shopping, pois era um ambiente totalmente vazado (como das casas de reallity shows estrangeiros) e inclusive tinha uma privada. Sem ter o que fazer eu peguei uma garrafa d’ água e fiquei olhando para as infusões da água da garrafa, em contraste com a água da privada que estava limpinha e com um desinfetante bem perfumado. Eis que eu chamo o Cá para ele ver dizendo: “Cá, olha que lindo, daria uma pintura linda isso, uma foto linda, esse contraste e o jogo de imagens das águas (da garrafa e da privada). Cá, sábio como sempre me diz: “Mas é uma arte isso já e você enxerga-la também é uma arte, ou você acha que qualquer um olharia?) Eis que ele se vira então para minha cabeça e começa a puxar meus cabelos fazendo tranças (nos meus cabelos curtos que ficaram compridos com seu toque mágico (na vida real ele é assim também: mágico) e ,e fez olhar no espelho: “Eis o Carlos de volta”. Olhei-me e vi minhas tatuagens, meu cabelo muito colorido e rastafari, e chorava dizendo: “Mas esse não é o Carlos que dá aulas e é psicólogo”. Ao mesmo tempo que eu sentia uma alegria profunda dentro de mim.
Acordei sorrindo. Pensei no que eu deixei para trás: meu visual (se bem que eu nem acho tanto assim), meu lado mais selvagem (deve ser por isso que falo tantos palavrões agora), meus papos de horas e furadíssimos com tantos amigos... e tudo isso para ter uma conta bancária mais gorda (tão gorda quanto minha cintura que acabou ficando gorda também) e meus rituais. Me tornei um ser “moderno”, neurótico, agressivo e fálico. Igualzinho ao tema do meu trabalho. Igualzinho ao que o meu amigo Wellington detectou em uma das brigas via orkut (sim, gente, o orkut é algo bemmmm neurótico), o mesmo macha alpha que eu tanto me tanto persegui no meu tcc.
Sei que hoje, não só retomei meu blog, como coemcei a afazer algumas mudanças: escolhi verdura para o almoço, tomei bastante água, brinquei com meu cachorro, abençoei a chuva e comecei a tratar a terra para recomeçar meu plantio de ervas.
É... replantar... boa palavra essa...
Esse texto de reinauguração é homenagem aos meus amigos: Fá (sempre, sempre, sempre) , Benê, mais que um amigo, um companheiro mágico!, Denis, Jota, Well, San, Cíntia, Elaine, Camila, Leide, Flavia, Marco e Prox, Márcio de Mello, Marquito, Luis, Odilon, Sandro, Filipe, Magno, Renata, Sandrinha, André, Carol, e Juliana, que tem trazido os sabores picantes dos apaixonados.
Está decretado então:
O TEMPO É NOSSO!
NOSSO É O TEMPO
NUNCA IREMOS PERDÊ-LO!
PS: DESATIVEM O OLHO NADA MÁGICO DO CELULAR
FRASE: “O CHATO DE HOJE É O HERÓI SAUDOSO DE DEPOIS DE AMANHÔ
PSII – feliz ano novo chinês que não é 2008, ok?
Beijos, lambidas e mordidas
Porque eu “quero mamar”. E muito! Em todos vocês!
